As preliminares desse Distrito vêm do século XIX, surgido na antiga fazenda Sabonete, de propriedade de José Carlos Rodrigues, remanescente da Casa da Torre, e onde foi estabelecido um dos grandes currais pertencentes aos membros da família Pereira. Todavia, além dessa família, no início o seu principal contingente humano também se constituiu dos Rodrigues do Nascimento, Ferreiras da Cunha, Bezerra, Gomes e Barbosa Leal, Ribeiro de Freitas, Araújo e tantas outras, ligadas a essas consanguineamente.
Por volta de 1902, nessa ribeira povoada pelas famílias citadas, foi que o povoado começou a surgir com a primeira denominação de “Malhada do Bom Nome”, oriundo da vegetação existente em abundância naquelas paragens.
Surgiu impulsionado com uma concorridíssima feira, realizada primeiramente nos domingos de cada semana, e que funcionava em um local protegido por um galpão, com grossas colunas de madeiras, e coberto de telhas.
As primeiras casas pertenceram aos irmãos Antônio, Manoel, Tibúrcio, João e Justino Bezerra do Nascimento, ao coronel Manoel Pereira Lins (Seu Né da Carnaúba), ao capitão Rufino Gomes Barbosa Leal, ao major Jeremias Leal, Neco Valões, Antônio Araújo, Napoleão Alves de Araújo, Mariinha da Lagoa, dentre outros.
A Capela votiva, dedicada a Santo Antônio de Pádua, Padroeiro da localidade, foi construída em 1905. A numerosa família Bezerra do Nascimento, habitante das fazendas Cacimbas, Sabonete, Carnaubinha, Logradorzinho, Angicos dos Ferros e a própria vila que continuava edificando construções, recebendo a influência que incentivava os moradores das vizinhanças, movidos pelos princípios religiosos e sociais, que induz o ser humano para viver em comunidade, tomaram a iniciativa de construírem a capela. Assim, reuniram-se todos os descendentes de José Bezerra dos Anjos, e deram início à construção da obra, tendo à frente Antônio Bezerra, em colaboração com o povo reunido em mutirão, com vasilhas, carregando barro e tijolos para a sua conclusão. Nunca se viu tantos trabalharem tanto, com fé, ideal e sacrifício para a construção dessa Capela. Até dona Pautília, esposa de Seu Né da Carnaúba, vinha de sua fazenda com suas empregadas para ajudar na alimentação dos trabalhadores.
Ao término da obra, foi colocada, no seu altar, a imagem de Santo Antônio, o Padroeiro, doação exclusiva de seu Antônio Bezerra do Nascimento, como também o sino, que na ocasião foi instalado. O transporte da imagem foi efetuado pelo frei Afonso Bento, da cidade de Flores. A cada 13 de junho de cada ano, realizava-se a festa de Santo Antônio. Bom Nome então se revestia de contentamento para a celebração do seu querido Padroeiro.
Bem próximo da Vila existe uma elevação, que, por sinal, é a mais alta da redondeza, conhecida como Monte de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que ao mais descuidado observador denota a devoção e a simplicidade do seu povo. Com o mesmo espírito de fraternidade, foi erguida no cume desse monte uma capelinha destinada ao abrigo da imagem do Socorro, decorrente de uma promessa feita por dona Januária, 2ª esposa de Manoel Desidério do Nascimento, no início do século XX, florescendo, a partir de então, as visitas dos devotos, que fortificados pela fé, ainda hoje sobem os degraus na ladeira que dá acesso ao local indicado às romarias.
Unidos por laços de verdadeira amizade, os elos das famílias do povoado de Bom Nome se firmaram e se fecharam numa só corrente, quando, em 19 de abril de 1918, em casa de Cícero Bezerra do Nascimento, compareceram Manoel Pereira Lins e sua esposa, dona Pautília Menezes Lins, residentes na fazenda Carnaúba; Antônio Bezerra do Nascimento e sua esposa, Constança Maria do Nascimento, residentes na fazenda Maracujá; e Antônio Ferreira de Lima e sua esposa, Josefa Alves Pereira, residentes na Vila, e de comum acordo fazem a
“Doação ao Patrimônio da Capela de Santo Antônio de Pádua, d’um terreno com 160 braças em quadro, extremando-se ao nascente no marco onde tem uma quixabeira; ao poente com terras de Umbelina Maria da Conceição; ao norte com o riacho de Belmonte e ao sul onde de direito der as 160 braças devidamente demarcadas, que eles outorgantes possuem ditas terras havidas por compras os primeiros outorgantes a Antônio Ferreira de Lima e sua mulher, os dois últimos aos herdeiros de Joaquim Ferreira da Cunha. Que ao mesmo Patrimônio tenha servidão perpétua nas águas de uma cacimba, existente no riacho de Belmonte, ponto final das referidas terras. Vila de Bom Nome, 19 de abril de 1918”.
(Escritura de Doação do Patrimônio de Santo Antônio de Pádua da Vila de Bom Nome, registrada no 2º Ofício da Comarca de Belmonte, no 3º livro de Notas – pág.90).
A semente do progresso plantada em Bom Nome pelos antigos frutificou. Com o passar dos anos, foi instalado o Cartório do Registro Civil, Agência Postal e Telégrafo, Posto de Saúde, escolas municipais e estadual e um concorrido comercial. Houve também, na Vila, uma usina de beneficiamento de caroá, da firma Pinto Alves e Cia., um armazém com escritório da Boxwell, a instalação em 03 de fevereiro de 1946 do Posto de gasolina ESSO, de José Rodrigues de Lima, bem como a instalação em 1960, da RODASA – Rodrigues Distribuidora Automobilística S/A, desse mesmo senhor.
No rigoroso inverno de 1947, a promissora Vila de Bom Nome teve seus casarões devorados pelas enchentes violentas do Riacho do Cristovão. Com muito sacrifício, a Vila conseguiu superar essa calamidade e ressurgir com ânimo de progresso.
No decorrer de sua história, Bom Nome sempre foi bem representado na Prefeitura e na Câmara Municipal de São José do Belmonte. Sempre trabalhando em prol desse importante Distrito, pessoas de pulso forte como Manoel Desidério do Nascimento, Antônio Joaquim de Araújo, Manoel Pereira Lins, Jacinto Alves de Araújo, Joaquim Pedro Leal, Pedro Leão Leal, Leônidas Pereira de Menezes, José Ferreira da Silva, Zuleide de Carvalho Pereira, Mário Rodrigues do Nascimento, Maria Ivone Leal de Araújo Menezes, Rogério de Araújo Leão, Cícera Maria Pereira de Carvalho, José Pereira Silva Lins e Eler Napoleão de Albuquerque Júnior, dentre outros, que não devem nunca ser esquecidos.
Dentre os filhos ilustres de Bom Nome nunca poderá ser esquecido o nome do maestro Moacir Santos que se notabilizou como grande músico e compositor, nascido no dia 26 de julho de 1926. Grande instrumentista e arranjador, compôs boleros, valsas e marchas. A obra de Moacir Santos é mais conhecida no exterior do que mesmo no Brasil. Em 1967 foi morar nos Estados Unidos (fixou residência em Los Angeles) onde inicialmente trabalhou em trilhas sonoras. Foi assistente do compositor Henry Mancini e tocou e gravou com grandes nomes do jazz. Nelson Gonçalves e Nara Leão foram alunos do mestre Moacir.
Valdir José Nogueira de Moura.
Postado por: Iêda Araújo