A nova cédula de R$ 200 foi lançada nesta quarta-feira (2) pelo Banco Central. Um lobo-guará estampa a parte dos fundos da nova nota, que tem cores predominantes cinza e sépia e o mesmo tamanho da cédula de R$ 20.

"O real completou em julho deste ano 26 anos e é hoje o segundo padrão monetário mais longevo da história do nosso país, atrás apenas do mil réis", destacou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. "É uma resposta do BC a mudanças provocadas pela atual pandemia", acrescentou.

Segundo o presidente do BC, houve um aumento expressivo de demanda por dinheiro em espécie no Brasil. "Em momentos de incerteza, é natural que as pessoas busquem a segurança de uma reserva em dinheiro", afirmou, citando também benefícios como o auxílio emergencial como outros pontos que influenciaram o aumento dessa demanda. "Com a crise, o ritmo de retorno das cédulas à rede bancária é menor, ja que diminui a transação presencial nos comércios", diz.

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A cédula já tem valor legal a partir de hoje e "vai entrar em circulação a partir do momento que houver demanda", disse o presidente. 

A diretora do Banco Central, Carolina de Assis Barros, participou do evento e explicou detalhes das escolhas para a cédula. A nota de R$ 200 não será maior do que a de R$ 100 por questões práticas. Segundo ela, não havia tempo hábil para adaptação do parque fabril e a produção de R$ 100 não poderia ser interrompida. Por conta disso, houve a cédula ficará do mesmo tamanho da de R$ 20.

Carolina negou que a nova nota seja reflexo de uma desvalorização da moeda brasileira. "Não tem ligação com perda do poder de compra da nossa moeda, nem mesmo com a inflação", diz, afirmando que havia uma demanda e é papel do BC atender a isto.

A diretora falou também sobre uma ação que os partidos Rede, PSB e Podemos entraram junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da nova cédula. A argumentação é que notas de maior valor favorecem atividade ilícitas, como corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ocultação e evasão de divisas.

"Prestamos todas as infornações dentro do prazo estabelecido. Não nos cabe falar hipoteticamente", diz, destacando que "o BC respeita decisões judiciais"

Essa é a primeira cédula de um novo valor da família do real em 18 anos. A última cédula, a de R$ 20, tinha sido lançada em 2002. De acordo com o banco, a previsão é que até o fim do ano sejam produzidas 450 milhões de unidades da nota, equivalente a R$ 90 bilhões. O BC gastará R$ 113,8 milhões a mais do que o previsto no orçamento anual para a produção das novas notas e para a impressão de mais 170 milhões de cédulas de R$ 100.

Ao longo do mês de setembro, uma campanha vai apresentar a nova cédula e seus elementos de segurança para a população.

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Pesquisa
O animal escolhido para a nova nota, o lobo-guará, foi o terceiro colocado em uma pesquisa feita pelo Banco Central em 2000. A instituição perguntou à população quais espécimes da fauna gostariam de ver representados no dinheiro brasileiro.

A tartaruga marinha ficou à frente e foi usada na cédula de R$ 2. O segundo, o mico leão dourado, acabou incorporado na cédula de R$ 20.

Depois do anúncio da nova cédula, uma campanha pediu a adoção do cão vira-lata amarelo em uma nota do real.