Para alguns historiadores, a tradição seria uma transfiguração da perseguição que os judeus sofreram na época da inquisição. Para outros, o Judas queimado seria uma personalização das forças do mal, vestígio de cultos realizados em várias partes do mundo para obter bom resultados no início e no fim das colheitas. Há ainda alguns historiadores que afirmam o costume ser remanescente da festa pagã dos romanos.
 
A brincadeira, que em muitas cidades se perdeu principalmente por falta de lugar apropriado e pelo perigo, acontece na Semana Santa, especificamente no sábado de Aleluia ou Domingo de Páscoa. Os bonecos são vestidos com paletó velho, camisa, calça, sapatos, meias colocadas nas mãos e gravata. Normalmente, o corpo – recheado com trapos, panos velhos, raspas de madeira e jornais – é pendurado em postes de iluminação pública, galhos de árvores, porteiras, currais, e depois apanham, são rasgados e queimados.
 
Cara dos políticos
 
De algum tempo pra cá, personalidades do mundo político, econômico, artístico ou esportivo, que caem no desagrado popular, têm sua fisionomia estampada no Judas para serem ridicularizadas e tripudiadas.
 
Outra curiosidade é o “testamento”. Trata-se uma sátira das pessoas e coisas locais, preferencialmente escrita em versos. É colocado no bolso do boneco, e alguém deve tirá-lo e ler para todos. A brincadeira só tem graça para o povo da cidade que vive o seu dia-a-dia e conhece os personagens com quem ou a quem o Judas se refere.