O ‘cartel das placas’, organização criminosa que controla o mercado de emplacamento de veículos no Detran há mais de 30 anos, sofreu um duro golpe na semana passada, quando a polícia descobriu um totem que era manipulado para direcionar clientes para as empresas do esquema. A informação é da coluna Satélite, do jornal Correio. A operação foi deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Gaeco. Ainda segundo a coluna, o equipamento adulterado foi criado para dar aparência de isenção ao setor e estava instalado no Shopping da Bahia (antigo Iguatemi), onde funciona a sede da Associação Baiana de Estampadores de Placas Veiculares, considerada a central do esquema. Instalado próximo à unidade do SAC dentro shopping, que abriga um posto do Detran, o totem era o meio usado para que usuários pudessem solicitar o serviço, mas tinha como objetivo manipular, direcionar e monopolizar a venda de placas.

Divisão do bolo

Investigadores do Gaeco, grupo do MP voltado a combater organizações criminosas, iniciaram a análise do equipamento para descobrir como o sistema foi fraudado para beneficiar o cartel e medir a fatia de cada empresa na negociata.

Suspeitos

Embora o MP-BA tenha mantido sigilo sobre os nomes dos dois principais alvos da operação, a coluna Satélite apurou que se tratam dos empresários, Adriano Muniz Decia e Catiucia de Souza Dias, presos em suas residências, respectivamente, situadas em condomínios de luxo no Horto Florestal e em Busca Vida, onde foram encontrados gavetas cheias de dinheiro.

Peixe grande

Os policiais que efetuaram as prisões contam que os dois alvos se disseram protegidos de um conhecido político, com passagem por diversos partidos e cargos eletivos no Executivo e Legislativo do estado. A citação ao político reforça as suspeitas do Gaeco de que ambos respondiam a pessoas acima deles no cartel.